# Downhill: o guia completo da modalidade, da bike às competições no Brasil

O que separa o downhill do enduro e do freeride, por que a bike é tão diferente e qual o caminho realista para começar no Brasil. Com bike parks reais, as regras da UCI e os pilotos brasileiros de agora.

- Bike de downhill tem cerca de 200 mm de curso, garfo de dupla coroa e ângulo de direção perto de 62,5°: é feita para descer e quase não sobe pedalando.
- Para começar, use uma bike de trail ou enduro (130 a 180 mm) nas linhas verdes e azuis de um bike park; o day use custa R$ 80 a R$ 90 nos parques que publicam preço.
- O capacete full face vem antes de tudo: procure a norma ASTM F1952, feita para downhill, e lembre que a UCI exige full face com pala em prova e treino.
- Roger Vieira, campeão brasileiro em 2024 e 2026, correu a Copa do Mundo UCI de 2026 pela Pivot e fechou em 30º no ranking, com 268 pontos.

Downhill é a modalidade do mountain bike em que você só desce: pista íngreme, com pedra, raiz, salto e drop, contra o relógio, um piloto por vez. A subida fica por conta de teleférico, van, caminhão ou trator. Por isso a bike de downhill é tão diferente de uma MTB comum.

Se você ainda está escolhendo a primeira MTB, comece pelo guia de mountain bike e volte aqui depois.

## O que é downhill e como ele difere do enduro e do freeride?

O regulamento da UCI é a melhor definição que existe. Uma prova de downhill tem percurso só em descida, com trechos rápidos e técnicos misturados, e a ideia é testar ao mesmo tempo a técnica e o físico do piloto. Em Mundial, Copa do Mundo, continentais e provas de classe 1, a descida dura de 2 a 5 minutos, e a pista tem no máximo 3.500 m. A final é de descida única: ou você passa por uma classificatória, ou faz uma descida de seeding que define a ordem de largada. O tempo mais rápido da final vence. Não existe média de duas descidas.

Esse formato explica o resto. Como ninguém sobe pedalando, a bike pode ser pesada, longa e com muito curso. Como a final é uma descida só, um erro custa a prova inteira.

O enduro parece parecido, mas a lógica é outra. A prova tem várias especiais cronometradas, quase sempre em descida, e os tempos se somam. As ligações entre elas muitas vezes são pedaladas, e a UCI exige o mesmo quadro, garfo e rodas do começo ao fim, com 5 minutos de punição para trocar peça quebrada. Por isso a bike de enduro precisa descer bem e subir uma serra inteira: é mais leve, tem menos curso e garfo de coroa simples.

O freeride não tem cronômetro: o foco são saltos grandes, drops e linhas escolhidas pelo piloto, como no Red Bull Rampage, com bike de DH ou de enduro reforçada.

## Como é uma bike de downhill e por que cada medida importa?

Uma bike de DH atual tem perto de 200 mm de curso, garfo de dupla coroa, rodas de tamanhos diferentes, freio de 4 pistões com disco grande e pneu de carcaça dupla. Um exemplo real: a Pivot Phoenix 2025, a bike que Roger Vieira usa na Copa do Mundo, tem 210 mm atrás e 203 mm na frente, ângulo de direção de 62,5° a 62,9° conforme o flip chip, entre-eixos de 1.333 mm no tamanho S4 e pesou 16,19 kg sem pedais no teste da Vital MTB.

### Ângulo de direção aberto: estabilidade antes de agilidade

Quanto menor o ângulo de direção, mais "deitado" fica o garfo. Com o mesmo offset, um ângulo mais aberto aumenta o rastro, a distância entre o ponto onde o pneu toca o chão e o ponto onde o eixo de direção cruza o solo. Mais rastro faz a roda voltar sozinha para o centro, então pedra e raiz desviam menos a frente. O ângulo aberto também leva a roda dianteira para longe do corpo: num degrau íngreme, seu centro de massa fica mais atrás do eixo da frente e capotar fica mais difícil. O preço é a direção lenta em curva fechada e a frente que "cai" para o lado na subida.

### Entre-eixos longo, movimento central baixo

Entre-eixos longo deixa a bike menos sensível a arfagem: frear forte ou cair de um drop não joga seu peso tão rápido para a frente. Movimento central baixo abaixa o centro de gravidade e a bike segura melhor em curva. Na Phoenix, a traseira mede 440 mm parada e cresce 22 mm ao longo do curso, por causa do pivô alto: a roda recua quando bate no obstáculo, em vez de subir contra ele.

### Garfo de dupla coroa

No garfo comum, uma coroa só prende as bengalas abaixo da caixa de direção. No de dupla coroa (dual crown), como o RockShox BoXXer e o Fox 40, uma segunda coroa as prende acima da caixa, e o conjunto fica muito mais rígido em torção e na frenagem. É o que permite 200 mm de curso sem flexionar no rock garden. O custo: mais peso e um batente que limita o giro do guidão.

### Mullet: 29 na frente, 27,5 atrás

A UCI permite rodas de diâmetros diferentes no downhill e no enduro. A 29 na frente passa por cima de pedra e degrau com ângulo de ataque menor e tem mais área de contato. A 27,5 atrás deixa mais espaço entre pneu e corpo quando você joga o quadril para trás no íngreme e ajuda a contornar curva fechada. A Phoenix só existe em mullet.

### Freio de 4 pistões e disco de 200 a 220 mm

Freio de 4 pistões aperta a pastilha com mais área e força para a mesma pressão no manete. O disco maior funciona como alavanca: o torque cresce com o raio, então um disco de 220 mm dá cerca de 22% mais torque que um de 180 mm com o mesmo aperto, e tem mais massa para dissipar calor. Numa descida de 3 minutos você freia dezenas de vezes, e freio quente perde força (fade). A Phoenix sai com SRAM Maven e discos de 220 e 200 mm, ou com Shimano Saint e discos de 220 e 203 mm.

### Pneu de carcaça dupla

A carcaça DH tem duas lonas, que sustentam a lateral em curva e protegem contra corte e beliscão em pedra. Isso permite rodar com menos pressão, e menos pressão quer dizer mais aderência. O preço é peso: os pneus da nova carcaça DH da Maxxis vão de 1.265 g a 1.550 g cada, e o fabricante diz que ela aguenta 2 a 3 psi a menos que a antiga. Para chegar num número de partida, use a calculadora de pressão do pneu e ajuste na pista.

Completam a bike a transmissão curta (a SRAM GX DH da Phoenix tem 7 velocidades: na descida não se usa marcha leve), o guia de corrente e um amortecedor bem progressivo, para não bater no fim do curso na aterrissagem.

Downhill x enduro x trail: as medidas que mudam (faixas típicas de bikes de 2025 e 2026)
MedidaDownhillEnduroTrail

Curso traseiro (mm)190 a 210150 a 180130 a 155

Curso e tipo de garfo (mm)200 a 203, dupla coroa160 a 180, coroa simples140 a 160, coroa simples

Ângulo de direção (graus)cerca de 62 a 63,5cerca de 63 a 64,5cerca de 64 a 66

Peso de bike completa (kg)cerca de 16 a 1715,3 a 17,613,3 a 16,2

Freio e disco dianteiro (mm)4 pistões, 2204 pistões, 200 a 2202 ou 4 pistões, 180 a 203

Pneu (carcaça)dupla (DH)reforçada ou duplasimples ou reforçada

Sobe pedalando?mal; depende de transportesim, de forma eficientesim, é o ponto forte

Cursos e pesos de enduro e trail vêm dos comparativos de 2026 da ENDURO Mountainbike Magazine (bikes sem motor). Os ângulos de direção são faixas aproximadas: confira a ficha do modelo.

## Dá para começar no downhill com uma MTB de entrada?

Não, e o motivo não é frescura. A MTB aro 29 de entrada, aquela de R$ 2.500 a R$ 5 mil (em outubro de 2026, a Audax Havok fica por volta de R$ 2.600 e a Trek Marlin 5, perto de R$ 3.700) com Tourney, Altus ou CUES, foi feita para estrada de terra e trilha leve. O garfo de mola tem 80 a 100 mm e não foi projetado para salto, a geometria é de cross-country, o freio é de 2 pistões ou mecânico com disco de 160 mm, e o eixo de blocagem rápida flexiona no impacto. Muitos fabricantes classificam o uso da bike pelas condições da norma ASTM F2043: a 3 vale para terreno acidentado com salto e degrau de até 61 cm, a 4 para descida íngreme abaixo de 40 km/h com até 122 cm, e o downhill fica na 5. Hardtail de entrada costuma sair na 2 ou na 3, e usar além disso costuma anular a garantia.

Na pista, o garfo bate no fim do curso no primeiro degrau, o aro amassa, o freio perde força na metade da descida e a direção fechada joga você por cima do guidão no primeiro íngreme. Quebra de garfo em descida rápida é lesão grave, não só prejuízo.

### O caminho realista

- Comece com bike de trail ou enduro. Uma full de 130 a 160 mm com freio hidráulico de 4 pistões (Deore BR-M6120 ou M6220, SLX M7120, XT M8120) e disco de 200 mm na frente aguenta as linhas verdes e azuis de qualquer bike park. Na escada de grupos você vê o que muda em cada degrau.

- Vá a um bike park, não a uma pista de prova. Bike park tem nível sinalizado e linha alternativa; pista de Brasileiro é preta do começo ao fim.

- Faça aula. Zoom Bike Park (SP), ST Bike Park (MG) e Montanha Azul (RJ) oferecem aulas. Uma tarde com instrutor corrige posição e freio mais rápido que meses sozinho.

- Alugue antes de comprar. Zoom e Chácara Bike Park alugam bike: sinta uma de mais curso antes de gastar.

- Só então pense numa DH. Quando você já desce as linhas pretas com a bike de enduro, a DH faz sentido. Antes disso, ela esconde erros de técnica.

DICA DE PRIMEIRO DIANa primeira descida, não tente ser rápido: desça a linha verde inteira devagar e pare antes de cada salto ou drop para olhar a aterrissagem. Confira as pastilhas antes de sair (descida longa gasta pastilha num dia) e leve um par extra. Faça pausas: mão cansada não freia direito.

## Qual equipamento de proteção você precisa, e em que ordem comprar?

A UCI exige, em prova e em treino na pista de DH, capacete full face com pala, bem preso (art. 4.3.012). Capacete aberto é proibido. Exige também camisa de manga longa e calça resistente, ou bermuda com proteção que cubra joelho e canela. E recomenda proteção rígida de costas, cotovelo, joelho e ombro, proteção cervical e luva de dedo longo. No Brasil a régua sobe: o guia técnico do Brasileiro de 2023, da Federação Catarinense, tornou obrigatórios também colete, cotoveleira e joelheira rígidas e luva de dedo fechado. Compre nesta ordem:

Equipamento de downhill por prioridade (faixas arredondadas de produto novo no Brasil, out/2026)
ItemO que procurarPrioridadeFaixa de preço (R$)

Capacete full faceASTM F1952 na etiqueta; EN 1078 junto é bônus1, obrigatório1.400 a 4.000 (genérico sem norma informada: 300 a 550)

Joelheira com caneleiraParte rígida ou espuma que endurece no impacto; não pode descer na perna2220 a 850

Luvas de dedo longoPalma fina para sentir o manete; reforço nos dedos360 a 250

Óculos ou goggleGoggle veda contra barro e poeira; lente clara para mata fechada4250 a 600 (goggle)

Colete ou protetor de costasProtetor de coluna que não esquente demais5250 a 2.300

CotoveleiraQue fique no lugar com o braço dobrado6200 a 650

Neck braceCompatível com o seu capacete e o seu colete7, opcional1.700 a 2.000 nos modelos de entrada

Na ponta de cima de cada faixa estão as marcas grandes: em outubro de 2026, um full face como o Fox Proframe, o Bell Sanction 2 ou o Leatt Enduro 4.0 fica por volta de R$ 1.400 a R$ 1.900, uma joelheira Leatt passa de R$ 700 e o neck brace Leatt 4.5, perto de R$ 1.800. Os preços mudam com câmbio e promoção. A ordem não muda: o capacete protege o que não tem conserto.

### Por que a norma ASTM F1952 importa

A ASTM F1952 é a norma americana específica para capacete de downhill, com revisão em vigor de 2026. Na comparação do BHSI (Bicycle Helmet Safety Institute), ela testa a bigorna plana a 6,2 m/s (queda de 2 m), como a norma CPSC, mas leva as bigornas hemisférica e de meio-fio a 5,6 m/s (queda de 1,6 m), contra 4,8 m/s na CPSC. Ela testa a queixeira quando o capacete tem uma, inclusive a removível, e nesse caso testa o capacete com e sem ela. E estende a área de teste mais para baixo nas laterais e atrás da cabeça.

A EN 1078 é a norma europeia de capacete de bike em geral e não testa queixeira. Muitos full face trazem as duas, e é isso que você quer. Full face de queixeira removível serve bem no enduro; para DH, confira a F1952.

ATENÇÃO À ETIQUETACapacete de bicicleta não está na lista de certificação compulsória do Inmetro (Portaria 202/2021). O selo do Inmetro em capacete é de moto (ABNT NBR 7471). No de bike, quem garante é a norma na etiqueta interna: procure "ASTM F1952" por extenso. Capacete aberto de trilha, mesmo com MIPS, não serve para downhill. E troque o capacete depois de batida forte, mesmo sem trinca: a espuma de EPS amassa uma vez só.

### Joelheira, colete, cotoveleira e neck brace

Prove a joelheira com o joelho dobrado em posição de pedal: se escorrega ou aperta atrás do joelho, vai ficar no carro. O protetor de costas vem antes da cotoveleira porque a coluna não tem segunda chance. No calor do Brasil, prefira colete ventilado ou mochila com placa de proteção.

O neck brace limita o movimento da cabeça em relação ao tronco numa queda. Os números de eficácia mais citados vêm de registros de motocross, divulgados com apoio do fabricante (Leatt), e não encontramos estudo independente específico de mountain bike. Faz mais sentido para quem já anda rápido, salta grande ou corre.

## Como descer melhor: posição, freio, curvas, saltos e drops?

Treine estes passos numa linha verde antes de levar para a pista.

- Posição de ataque. Pés nivelados, calcanhares baixos, joelhos e cotovelos dobrados, cotovelos para fora. O quadril fica acima do movimento central, não atrás do selim: no íngreme você abaixa o tronco e deixa a bike mexer embaixo de você.

- Olhar longe. A bike vai para onde você olha: mire a saída do trecho, não a pedra que quer evitar.

- Frear antes, não durante. Freie forte na terra firme antes do trecho técnico e solte dentro do rock garden: roda travada não absorve impacto nem faz curva. Na frenagem o peso vai para a frente, então o freio dianteiro faz a maior parte do trabalho.

- Curvas. Defina a velocidade antes da curva, entre por fora e procure um ápice tardio. Em curva plana, pé de fora embaixo e bike mais inclinada que o corpo. Na berma, incline junto e use a parede.

- Saltos. Comece pelos table tops, que perdoam velocidade errada. Na rampa, comprima a bike e deixe ela subir, sem puxar o guidão. Aterrisse com as duas rodas e braços e pernas prontos para absorver.

- Drops. Chegue com velocidade para a roda de trás não cair na borda e empurre a bike um pouco à frente, para a roda dianteira não cair primeiro. Em drop grande, aterrisse com as duas rodas juntas e freio solto.

- Ler a linha. Desça a pista a pé ou devagar antes, procurando linhas limpas e pontos de frenagem. Muitos bike parks têm uma linha alternativa (a "linha B") em volta de salto e drop: use a B até a principal ficar fácil.

### Pedal plataforma ou clip?

Para começar, plataforma. Você tira o pé para equilibrar em curva e sai da bike numa queda sem pensar, e o pé solto ensina a técnica: você só fica na bike com calcanhar baixo e posição certa. Procure plataforma larga, pinos que seguram o solado e eixo forte, com tênis de solado liso e borracha macia. Clip é escolha para quem já domina a bike.

O Promend PD-M29 é um pedal de entrada: alumínio, eixo de cromo-moly, plataforma de 123 x 100 mm e 319 g o par. Serve bem para os primeiros dias de bike park. O ponto fraco é o de todo pedal com pino: escorregou o pé, os pinos acertam a canela, mais um motivo para a joelheira com caneleira.

## Onde andar de downhill no Brasil?

Lugares conferidos em fontes oficiais ou recentes até outubro de 2026, com preço só quando o parque publica. Pistas de competição nem sempre abrem fora dos dias de prova: confirme antes de viajar. A lista completa está em trilhas e bike parks.

### São Paulo

O Zoom Bike Park, em Campos do Jordão, a cerca de 180 km da capital, tem perto de 20 trilhas em quatro níveis (verde a preto), pump e jump, aluguel de bike, oficina e aulas. O ingresso custa R$ 80 e o parque fecha às quartas, fora de feriados e férias. É mais enduro que DH puro, ótimo para começar. Veja mais em trilhas de São Paulo.

### Minas Gerais

O Chácara Bike Park, em Santana dos Montes, tem mais de 18 km de trilhas por nível, com linha de saltos, a descida DH do Juiz, flow trail e pump track, além de aluguel de bike, transporte de subida (sujeito a disponibilidade) e primeiros socorros. O day use custa R$ 90. O ST Bike Park, em Cristiano Otoni, é focado em salto e tem escola de bike. Na Grande BH há descidas na Serra da Calçada (DH Crazy), no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça (DH do Korea) e na Serra da Moeda, em Brumadinho, estas dupla preta. Detalhes em trilhas de Minas Gerais.

### Rio de Janeiro

A pista de downhill do Parque da Cidade de Niterói recebeu em abril de 2026 uma etapa da Continental Series de Downhill da UCI. É pista avançada. Para aprender, o Montanha Azul MTB Park, em Itaipava (Petrópolis), tem trilhas de vários níveis, aulas e day use. Veja trilhas do Rio de Janeiro.

### Paraná

O Morro do Cal, em Campo Largo, tem a clássica descida Calcário, dupla diamante negro, com subida de trator cobrada à parte. Para começar, o Canal Aventura Bike Park, em Piraquara, tem 27 trilhas no Trailforks, e o Vista Alegre, em Curitiba, é municipal e gratuito. Mais em trilhas do Paraná.

### Santa Catarina

O Vale do Itajaí concentra as pistas de prova. O Pedra Bike Park, em Botuverá, tem a Pista do Macaco, resgate de caminhão em datas anunciadas e sediou em outubro de 2026 a 3ª etapa do Catarinense de Downhill e do Ranking Brasileiro. O Morro da Turquia, em Pomerode, recebeu o Brasileiro em 2023 e 2024, e a Dalbérgia, em Ibirama, pista privada, abriu o Catarinense de 2026. Veja trilhas de Santa Catarina.

### Rio Grande do Sul

A pista Villa Paiva, no Morro Ferrabraz, em Sapiranga, é uma das mais tradicionais do país: cerca de 1,8 km e até uns 350 m de desnível. Sediou o Brasileiro de 2025 e o Pan-Americano de Downhill da UCI, em março de 2026. A prefeitura diz que ela abre o ano todo.

## Como funcionam as competições de downhill no Brasil e no mundo?

### Campeonato Brasileiro e ranking da CBC

A Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) organiza o Campeonato Brasileiro de Downhill, prova única por ano que dá a camisa de campeão nacional, com treino na sexta, classificatória no sábado e final no domingo. Abaixo dele vêm os estaduais e regionais e as etapas que pontuam no Ranking Brasileiro. O calendário fica no site da CBC. Nas categorias oficiais dos campeonatos da CBC, só corre quem é filiado e tem registro na confederação, feito pela federação do seu estado; algumas provas abrem categorias não oficiais, então leia o guia técnico do evento antes de se inscrever.

Em 2025, em Sapiranga, com quase 250 atletas em 19 categorias, Douglas Vieira venceu a elite em 3min03s097, à frente de Leonardo Becher. Na elite feminina, Larissa Luz, de 18 anos, correu na júnior e levou também o título da elite com o tempo mais rápido entre as mulheres (3min50s266); Nara Faria ficou em segundo. Em 2026, no Morro da Torre, em Paraíba do Sul (RJ), numa pista de 1.200 m e 160 m de desnível, com 220 pilotos, Roger Vieira venceu em 1min52s740, recorde da pista, seguido por Leonardo Becher e João Augusto Hodecker. Nara Faria venceu a elite feminina em 2min16s560, à frente de Larissa Hölscher da Luz e Flávia Fátima de Brito. Os irmãos Vieira somam quatro títulos brasileiros: Roger em 2024 e 2026, Douglas em 2023 e 2025.

### Copa do Mundo UCI

A Copa do Mundo de downhill da UCI é a principal série do esporte. Em 2026 passou por lugares como Mona Yongpyong (Coreia do Sul), Loudenvielle-Peyragudes (França) e Lake Placid (EUA). O Brasil recebe etapas de cross-country, não de DH; as provas internacionais de DH por aqui em 2026 foram o Pan-Americano de Sapiranga e a Continental Series em Niterói.

O brasileiro de destaque no circuito é Roger Vieira, que corre pela Pivot Factory Racing. Em 2026 ele fechou o ranking da Copa do Mundo em 30º, com 268 pontos, e teve como melhores finais dois 18º lugares, em Loudenvielle-Peyragudes e em Lake Placid, onde também foi 7º numa classificatória.

## Quanto custa entrar no downhill no Brasil?

Depende do que você já tem. As faixas são de outubro de 2026, arredondadas a partir de preços de produto novo e de anúncios de usadas no Brasil; o day use vem dos sites dos parques. Câmbio e importação mexem em tudo.

Quanto custa começar no downhill: três caminhos (valores aproximados, out/2026)
CaminhoO que incluiFaixa (R$)Para quem

ExperimentarDay use, aluguel de bike no parque e proteção básica sua80 a 90 de ingresso, mais aluguel (sob consulta) e 1.700 a 3.000 de capacete com F1952, joelheira e luvasQuem nunca desceu num bike park

Usar sua trail ou enduroProteção completa, pneus reforçados, pastilhas extras, freio de 4 pistões se faltar2.500 a 8.000Quem já tem uma full de 130 mm ou mais

Bike de enduro novaFull de 145 a 170 mm com freio de 4 pistõesa partir de cerca de 31.000 em alumínio de marca grande; carbono de topo passa de 90.000Quem quer uma bike para trilha e bike park

Bike de DHDH usada ou nova importada, mais proteção completausada: de uns 5.000 (DH antiga aro 26) a 19.000 (V10 ou Demo mais recente); nova: cerca de 70.000Quem já desce linha preta e faz shuttle todo fim de semana

Para ter uma referência da bike nova: em outubro de 2026, a Santa Cruz V10 de carbono parte de cerca de R$ 70 mil no representante da marca, a Specialized Stumpjumper 15 EVO Comp Alloy (160/145 mm) custa por volta de R$ 31 mil, e a Pivot Phoenix sai por US$ 6.899 (Ride GX DH) a US$ 8.499 (Pro Saint) nos Estados Unidos, antes de frete e impostos. Por isso o mercado de DH usada é tão ativo por aqui.

Some a manutenção: um dia de bike park gasta pastilha, a suspensão pede revisão mais frequente e o barro de serra acaba com rolamento e corrente. Conte com uma oficina que entenda de suspensão, peças de reposição à mão e a viagem, já que quase todo bike park fica a horas das capitais.

## Perguntas frequentes

Qual a diferença entre downhill e enduro?
No downhill você faz uma descida só, contra o relógio, e sobe de transporte. No enduro há várias especiais cronometradas somadas, com ligações muitas vezes pedaladas, então a bike precisa subir bem e é mais leve, com 150 a 180 mm de curso.

Precisa de bike de downhill para ir a um bike park?
Não. Uma bike de trail ou enduro com freio de 4 pistões aguenta as linhas verdes e azuis, e vários parques alugam bike. A DH só faz diferença nas linhas pretas.

Quanto custa uma bike de downhill no Brasil?
Uma DH nova de marca grande custa por volta de R$ 70 mil (a Santa Cruz V10 de carbono, em outubro de 2026). Usadas aparecem de uns R$ 5 mil, nas aro 26 antigas, a R$ 19 mil nas mais recentes, e exigem revisão antes de rodar.

Qual capacete usar no downhill?
Full face com a norma ASTM F1952 na etiqueta, de preferência com EN 1078 também. A UCI exige full face com pala em prova e treino de DH, e capacete aberto é proibido.

Dá para fazer downhill com bike aro 29 comum?
Não com uma MTB de entrada: garfo de 80 a 100 mm, freio de 2 pistões e eixo de blocagem rápida não foram feitos para salto e podem quebrar. A roda 29 não é o problema: as DH atuais usam 29 na frente.

Quem é o melhor piloto brasileiro de downhill hoje?
Roger Vieira, da Pivot Factory Racing, campeão brasileiro em 2024 e 2026 e 30º no ranking da Copa do Mundo UCI de 2026. No feminino, Nara Faria venceu o Brasileiro de 2026 e Larissa Luz, o de 2025.

## Fontes

- [UCI, Regulamento de Mountain Bike, Parte 4 (downhill e enduro)](https://assets.ctfassets.net/761l7gh5x5an/6qYIYIddcAPjN248n7tVDI/60971cf4716efc2679aed67a56acaa46/UCI_MTB_Rules_-_Part_IV_-_ENG_-_V01.2024.pdf)
- [ASTM, F1952-26: capacetes para downhill](https://store.astm.org/f1952-26.html)
- [BHSI (Helmets.org), o padrão ASTM F1952 comparado ao CPSC](https://helmets.org/f1952standard.htm)
- [Vital MTB, teste da Pivot Phoenix 2025](https://www.vitalmtb.com/features/2025-pivot-phoenix-downhill-bike-review)
- [Federação Catarinense de Ciclismo, guia técnico do Brasileiro de Downhill 2023](https://www.scciclismo.com.br/painel/upload/doc/inscricao/doc-20-772ab24080d1de556eeda90eb1f8d1df.pdf)
- [Fulcrum, categorias de uso ASTM](https://www.fulcrumwheels.com/area/download/download.php?tab=doc&rnd=uvRDgXU0B5&rnds=&rndc=1&rnts=1)
- [ENDURO Mountainbike Magazine, melhor bike de enduro de 2026](https://enduro-mtb.com/en/the-best-enduro-mtb-review/)
- [ENDURO Mountainbike Magazine, melhor bike de trail de 2026](https://enduro-mtb.com/en/the-best-trail-bike-mtb-review/)
- [Flow Mountain Bike, a nova carcaça DH da Maxxis](https://flowmountainbike.com/?p=250901)
- [UCI MTB World Series, perfil de Roger Vieira](https://www.ucimtbworldseries.com/athletes/roger-vieira)
- [ABC+, resultados do Brasileiro de Downhill 2025 em Sapiranga](https://www.abcmais.com/esportes/atleta-de-18-anos-de-estancia-velha-e-campea-brasileira-de-donwhill-em-sapiranga/)
- [Mundo Bici, Brasileiro de Downhill 2026](https://mundobici.com.br/2026/07/27/brasileiro-de-downhill-roger-confirma-seu-bom-momento-e-leva-o-bicampeonato/)